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sábado, 22 de abril de 2017






























O aniversário do Decreto de Preservação das Trilhas de Nova Lima passou em branco. Não houve motivos para a comemoração da lei que pretendia, ou ainda pretende, preservar as trilhas.

Não houve motivos para repetir a grande comemoração que houve a pouco mais de uma ano, no evento "As Trilhas de Chamam", que reuniu uma multidão de praticantes dos esportes de montanha em Honório Bicalho, distrito de Nova Lima e um dos principais locais onde se iniciam as trilhas percorridas a pé ou de bike.

Nem mesmo o texto do Decreto 6.773 eu consegui localizar, assim como descrição ou mapa dos trezentos quilômetros que teriam sido tombados. Agradeço quem puder satisfazer minha curiosidade.

E as trilhas mesmo, estão cada vez mais degradadas. A perdidas, o mais emblemático local para a prática de Mountain Bike, se perde a cada dia.

A trilha é constantemente destruída por erosões e cavas. O uso constante, principalmente de veículos automotores, promovem a escavação do terreno em grandes profundidades, até que a trilha se torna imprestável, permanecendo como uma cicatriz aberta para sempre, que nunca se cura, e outra trilha lateral é aberta.

Com as chuvas, a enxurrada se concentra nesses cânions fabricados,  até que o terreno cede, criando erosões que levam embora a trilha e os arredores, criando um buraco que aumenta a cada dia.

Na Perdidas, existe o falso pensamento que ela se recompõe sozinha, e que são justamente estas dificuldades que a tornam tão desafiadora. O custo da recomposição da trilha, neste caso, é aumentado a escavação do terreno.

Não sou expert no assunto, mas receio que, se nada for feito, em breve, não somente a prática do esporte se tornará inviável, mas haverá grandes danos ao ambiente. 

Mesmo em outros locais onde não vem ocorrendo o trânsito de veículos automotores, mas somente bicicletas e pedestres, dependendo da fragilidade do terreno, a utilização das trilhas aos poucos degradam consideravelmente o terreno, decorrente da falta de vegetação aliada às enxurradas, como pode ser observado nas crateras e desmoronamentos existentes nos pontos mais arenosos da Serra da Calçada, local ímpar ao lado de Belo Horizonte, dividido entre os municípios de Nova Lima e Brumadinho. Fora o caos que se instala na portaria do Retiro das Pedras aos finais de semana, devido a falta um estacionamento adequado e que poderia ser facilmente implementado.

Mesmo com as dificuldades que passam os municípios, é de extrema necessidade que algo seja feito para efetivamente preservar as trilhas. Nova Lima poderia se tornar um centro de Mountain Bike do Brasil, atraindo praticantes de todo o mundo.

Mas é preciso que se realize projetos estruturais nas trilhas, através da análise técnica dos locais, dos impactos já existentes e das intervenções necessárias para resolver os problemas e permitir a utilização sustentável. Intervenções pontuais, como de vez em quando são realizadas voluntariamente, são paliativas e temporárias, e podem agravar ainda mais a situação, devido a falta análise macro.

Mas com a iniciativa oficial, não faltariam voluntários dispostos a colaborar em regime de mutirão. Enquanto isso, vamos assistindo não somente estas, mas todas as trilhas se perderem...

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